Por Gerson Mazer
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Em 09/08/2018, ocorreu o primeiro debate dos candidatos à Presidência da República do Brasil transmitido e moderado pela Band, seguido de um segundo debate em 17/08/2018 na RedeTV. Minha intenção neste artigo não é tomar partido e tampouco entrar em discussões políticas e ideológicas. Gostaria apenas de partilhar um pouco dos meus receios e primeiras impressões de como se dará o pleito... comgrande foco no primeiro debate, já que o segundo foi mais do mesmo...
No primeiro debate, 9 candidatos foram convidados e apenas 8 compareceram. O candidato do Partido dos Trabalhadores foi o convidado que não compareceu por impedimento da Justiça. O Presidente que assinou a Lei da Ficha Limpa não pode comparecer porque está preso e insiste em poder ser o candidato. Ainda alegou que a sua exclusão do debate viola a liberdade de imprensa e deu o nome de censura. Liberdade de imprensa nunca foi o forte do ex-Presidente... Mas como parece ser o entendimento do próprio, ele está acima de tudo e de todos. O simples fato do nome deste senhor ainda aparecer como potencial candidato é uma afronta à Democracia e a sanidade dos seres minimamente pensantes. Ainda tenho fé que a nossa frágil democracia prevalecerá e o ex-Presidente preso não poderá ser candidato no pleito presidencial deste ano. Caso eu me equivoque, nossa tragicomédia será apenas tragédia.
Já o candidato do Partido Novo estava livre e desimpedido para participar do debate e não foi convidado. A Band não tinha obrigação nenhuma de convidá-lo uma vez que o Partido Novo não tem nem 5 parlamentares em sua bancada, entretanto por que não convidá-lo? Não era obrigada, mas também não era proibida... já tinha tanta gente la pra desrespeitar as perguntas e o cronômetro que um a mais não seria problema e deixaria o debate mais rico e democrático.
O primeiro candidato a falar foi o Senador Álvaro Dias do Podemos. A pergunta era sobre emprego e o candidato conseguiu estourar o seu tempo de 90 segundos sem mencionar a palavra emprego nem sequer uma única vez.
O candidato do Patriota, Cabo Daciolo, um pastor e ex-bombeiro militar e atualmente Deputado Federal foi o grande destaque do debate com suas pregações desconexas e sem fundamento. A melhor frase do debate, em minha opinião, foi deste candidato quando alegou que “O grande problema da nação é falta de amor”.
O Geraldo Alckmin, candidato pelo PSDB representando o “Centrão” continua sendo mais do mesmo, com um discurso razoavelmente coerente que infelizmente tenho dificuldades de acreditar que se tornariam práticas. Ele até citou duas vezes a palavra Fintech que está na moda.
O deputado Jair Bolsonaro creio eu não ter nada para agregar em debates além das suas alegações já conhecidas como castração química e voto impresso, mas não pode ficar de fora pelo lado cômico e ilustres tiradas com a sua língua venenosa e afiada.
O Ciro Gomes me lembrou muito o Collor de décadas atrás. O tradicional coronel dono de Estado. Me parece um perigo.
Henrique Meirelles, sem dúvida alguma o que mais entende de Economia entre os presentes, mas rodeado e talvez comandado pelos caciques do MDB que o país não aguenta mais.
A Marina Silva eu acho que até tem um bom coração, mas a cada 4 anos ela reaparece para dizer que sabe a solução por ter passado por dificuldades. Nunca conseguiu dizer efetivamente o que pensa e nem sair de cima do muro. Me parece que este ano não será diferente.
E o Boulos? É o candidato que tem que existir para constar. Se eleito suas primeiras providências serão libertar o Lula e desfazer tudo que já foi feito. Acabar com os patrões (e todos os empregos junto) e ao mesmo tempo defender os trabalhadores. Para mim incongruências insolúveis ainda mais quando seu ativismo social nunca foi ligado aos trabalhadores haja vista o título de um dos seus livros: “Por que ocupamos? Uma introdução à luta dos sem-teto”.
Muitas soluções mágicas e utópicas seguidas de ataques pessoais e comédia. Infelizmente não vejo nada muito diferente de tragédia e comédia pela frente...
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